O que é um Founder Exit Plan para fundadores de startup?
Um fundador de startup normalmente não começa com a ideia de um dia sair da empresa. Na primeira fase, o fundador concentra-se na ideia, no produto, no cliente, nos investidores, na equipa, no crescimento e na sobrevivência. Isso é natural. Nos primeiros anos de uma startup, a grande pergunta geralmente não é como sair, mas como manter a empresa viva.
No entanto, à medida que a empresa cresce, surge outra realidade: nenhum fundador consegue manter o mesmo papel para sempre. Um dia a empresa pode ser vendida, um investidor pode querer realizar uma saída, o fundador pode ficar esgotado, pode ser necessário um novo CEO, os cofundadores podem separar-se, um fundador pode transferir parte das suas quotas ou ações, ou a empresa pode evoluir para uma estrutura completamente diferente.
É aqui que um founder exit plan se torna importante.
Um founder exit plan é um roteiro estratégico de saída que explica como um fundador de startup pode sair parcial ou totalmente da empresa, como as suas quotas ou ações serão geridas, como as responsabilidades serão transferidas, como o processo com investidores e cofundadores será organizado e como a empresa continuará a funcionar depois da saída do fundador.
Este plano não significa apenas vender a empresa. Um founder exit pode significar a venda total da empresa. Mas também pode significar que o fundador deixa o cargo de CEO e permanece no conselho de administração. Pode significar que o fundador vende uma parte das suas ações. Pode significar que o papel do fundador muda depois de uma nova ronda de investimento. Também pode significar que o fundador sai completamente da empresa.
Um founder exit plan, portanto, não é um plano de fuga do fundador. É um plano para construir a empresa de forma suficientemente sólida para que ela possa continuar a viver sem o fundador.
Porque deve um fundador pensar num exit plan?
Muitos fundadores compreendem mal a ideia de um exit plan. Para eles, pensar na saída parece abandonar a empresa demasiado cedo. Mas um bom exit plan não é um plano de abandono. É um plano de maturidade.
Se uma empresa depende completamente do fundador, ela ainda não foi verdadeiramente construída. Se as vendas param quando o fundador não está presente, se os clientes perdem confiança, se os investidores ficam nervosos, se a equipa não consegue tomar decisões e se o desenvolvimento do produto fica bloqueado, então a empresa assenta principalmente na energia pessoal do fundador.
Isto pode funcionar a curto prazo. Mas a longo prazo é arriscado.
Um fundador pode adoecer. Pode ficar esgotado. Razões familiares podem obrigá-lo a fazer uma pausa. Pode querer passar para outro projeto. A pressão dos investidores pode aumentar. A estrutura acionista pode mudar. A fase de crescimento da empresa pode exigir um estilo de gestão diferente das capacidades naturais do fundador.
Por isso, um founder exit plan não é necessário apenas para o dia em que a empresa é vendida. É necessário para a resiliência da empresa.
A maior conquista de um fundador não é apenas iniciar uma empresa. A verdadeira conquista é construir uma empresa que consiga continuar a criar valor sem ele.
Deve pensar-se num exit plan desde o primeiro dia?
Sim, mas isto não deve ser mal interpretado. Não é saudável ficar obcecado, desde o primeiro dia, com a pergunta: “Quando vamos vender a empresa?” No entanto, desde o início devem ser feitas as perguntas certas.
Como serão protegidas as quotas ou ações dos fundadores?
O que acontece se um dos fundadores sair?
Durante quantos anos o fundador se compromete a trabalhar ativamente na empresa?
As quotas ou ações são adquiridas imediatamente ou progressivamente?
Um fundador mantém todas as suas ações se sair cedo?
Como muda o controlo do fundador quando entra um investidor?
Até que ponto a empresa ficará dependente do fundador?
O fundador poderá transferir mais tarde o papel de CEO?
Como serão calculados os direitos dos fundadores se a empresa for vendida?
Se estas perguntas não forem tratadas cedo, mais tarde podem transformar-se em problemas muito mais caros.
Pensar no exit desde o primeiro dia não é uma obsessão pela venda. É a disciplina necessária para construir a empresa de forma profissional.
Founder exit e venda da empresa não são a mesma coisa
Muitas pessoas pensam diretamente na venda da empresa quando ouvem o termo founder exit. Mas o conceito é mais amplo.
Um founder exit pode assumir várias formas:
O fundador deixa o cargo de CEO.
O fundador transfere tarefas operacionais para gestores profissionais.
O fundador vende uma parte das suas ações.
O fundador sai completamente da empresa.
A empresa é vendida a um comprador estratégico.
A empresa funde-se com outra empresa.
Os investidores realizam a sua saída através de um processo de venda.
O fundador permanece no conselho de administração, mas deixa a operação diária.
O fundador passa para um novo papel.
O fundador continua como acionista minoritário.
Um exit plan, portanto, não é apenas um plano de venda. É também um plano de transição de papel, transferência de liderança, gestão de ações, relações com investidores e continuidade empresarial.
Porque é arriscada uma startup dependente do fundador?
A maioria das startups avança no início graças à força do fundador. O fundador vende, fala com clientes, convence investidores, molda o produto, motiva a equipa, resolve crises e torna-se o rosto da marca.
Essa energia é uma vantagem no início. Mas, com o tempo, pode tornar-se um risco.
Investidores e compradores fazem esta pergunta:
Esta empresa consegue funcionar sem o fundador?
Se a resposta for não, o valor da empresa diminui.
Se os clientes não chegam sem o fundador, o sistema de vendas é fraco.
Se o produto não se desenvolve sem o fundador, a organização de produto é fraca.
Se a equipa não consegue tomar decisões sem o fundador, o sistema de gestão é fraco.
Se os investidores não confiam na empresa sem o fundador, a marca depende demasiado de uma só pessoa.
Se os fornecedores não cooperam sem o fundador, as relações não estão organizadas profissionalmente.
Por isso, um founder exit plan também é importante para os investidores. Um investidor não compra apenas uma boa ideia. Quer ver uma estrutura sustentável.
O que contém um founder exit plan?
Um bom founder exit plan é composto por vários elementos principais.
O primeiro elemento é o plano relativo às ações do fundador. Deve ficar claro quantas ações permanecem com o fundador, em que condições podem ser vendidas, como funciona a diluição nas rondas de investimento e que direitos ficam protegidos em caso de saída.
O segundo elemento é o plano de papel do fundador. O fundador continuará como CEO, passará a membro do conselho, será consultor, visionário de produto ou sairá completamente da empresa?
O terceiro elemento é o plano de transferência de gestão. Quem assumirá as tarefas críticas do fundador? Como serão profissionalizadas as vendas, o produto, as finanças, as operações, a gestão da equipa e as relações com investidores?
O quarto elemento é o calendário. O fundador sai imediatamente, sai gradualmente, permanece temporariamente como consultor ou continua ativo durante um período de transição depois de uma venda?
O quinto elemento é o plano de comunicação. Como serão informados a equipa, os investidores, os clientes, os fornecedores e o mercado? Como será preservada a confiança?
O sexto elemento é o plano para que a empresa crie valor de forma independente do fundador. Sistemas, processos, equipa, reporting, marca e relações com clientes devem ser construídos profissionalmente.
Sem estes elementos, um founder exit plan fica incompleto.
Porque é importante um sistema de vesting?
Um dos temas mais críticos nas sociedades de startup é o vesting. Vesting significa que os fundadores adquirem as suas ações progressivamente ao longo do tempo.
Por exemplo, dois fundadores podem ter cada um cinquenta por cento da empresa. Mas se um deles sair depois de seis meses e mantiver todas as suas ações, enquanto o outro continua a trabalhar durante anos, isto pode criar uma grande injustiça.
Por isso, em muitas startups, as ações dos fundadores estão ligadas a um calendário de vesting. Um fundador adquire as suas ações à medida que continua a trabalhar ativamente na empresa. Se sair cedo, uma parte das ações pode ser recuperada ou reorganizada.
Este sistema protege o fundador ativo e gera confiança nos investidores.
Um investidor quer saber:
Os fundadores estão realmente comprometidos a longo prazo?
A empresa ficará bloqueada se um fundador sair cedo?
A estrutura acionista é justa?
Um fundador inativo pode bloquear o futuro da empresa?
Se o vesting não estiver claramente organizado dentro do founder exit plan, podem surgir conflitos graves entre fundadores mais tarde.
Good leaver e bad leaver
Um conceito importante nas saídas de fundadores é a distinção entre good leaver e bad leaver.
Um good leaver é um fundador que sai por razões razoáveis e aceitáveis. Isto pode incluir problemas de saúde, circunstâncias familiares, uma saída acordada ou uma mudança de papel considerada benéfica para a empresa.
Um bad leaver é um fundador que sai de forma prejudicial. Por exemplo, um fundador que abandona as suas responsabilidades, utiliza indevidamente informação da empresa, compete com a empresa, viola a confidencialidade ou age contra o acordo pode ser considerado um bad leaver.
Esta distinção é importante porque as ações, os direitos e as obrigações do fundador que sai podem ser tratados de forma diferente consoante a situação.
Se esta distinção não estiver incluída no acordo, todas as saídas podem ser tratadas da mesma forma. Isso pode produzir resultados injustos.
Um founder exit plan não deve ser escrito apenas para os bons momentos. Também deve prever cenários difíceis.
Quando deve um fundador deixar a empresa?
Não existe uma única resposta a esta pergunta. Alguns fundadores conseguem liderar a empresa durante muitos anos. Outros são muito fortes na fase inicial, mas têm dificuldades na fase de crescimento. Alguns fundadores são excelentes na visão de produto, mas mais fracos na gestão operacional. Alguns são bons com investidores, mas acham difícil escalar equipas.
O momento adequado para um founder exit pode ser avaliado através de sinais como estes:
A empresa precisa de uma gestão que ultrapassa as capacidades do fundador.
A equipa precisa de uma estrutura de gestão mais profissional.
O fundador sente cansaço constante e bloqueios na tomada de decisões.
Os investidores pedem uma liderança mais experiente.
O fundador encaixa melhor num novo papel estratégico.
A empresa prepara-se para uma venda ou fusão.
O fundador abranda involuntariamente o crescimento em vez de acrescentar valor.
Às vezes, o melhor founder exit não é uma saída completa da empresa. Pode significar deixar o cargo de CEO e passar para o conselho de administração.
O importante é não decidir a partir do ego, mas a partir do futuro da empresa.
Porque é importante um founder exit plan para os investidores?
Quando um investidor investe numa startup, não olha apenas para o produto. Observa a equipa fundadora, a estrutura acionista, o sistema de tomada de decisões e a possibilidade de uma futura saída.
Para os investidores, um founder exit plan é importante porque:
mostra o compromisso dos fundadores,
reduz o risco de saída precoce,
torna a estrutura acionista mais justa,
diminui a dependência de pessoas individuais,
facilita uma futura venda,
fortalece a possibilidade de saída do próprio investidor,
aumenta o valor profissional da empresa.
Um investidor quer saber: esta empresa sustenta-se na energia do fundador ou está realmente a ser construído um sistema escalável?
Um founder exit plan é uma resposta séria a essa pergunta.
Porque é arriscado levantar investimento sem exit plan?
Quando uma startup recebe investimento, não entra apenas dinheiro na empresa. Também entram expectativas, pressão, objetivos de crescimento e possibilidades de saída.
Se os fundadores não falaram sobre temas de exit antes do investimento, os problemas podem crescer depois de o receberem.
Quanto controlo o fundador perderá?
Em que condições o investidor pode exigir uma venda?
O fundador pode vender as suas ações?
O que acontece se o fundador quiser sair?
O investidor pode substituir o fundador?
Qual será o papel do fundador se for nomeado um novo CEO?
O fundador terá de continuar a trabalhar durante um período depois da venda?
Estas perguntas devem ser reguladas claramente nos acordos de investimento, acordos de acionistas e estrutura de gestão.
Aceitar investimento sem exit plan é como iniciar uma longa viagem sem mapa. Entra dinheiro, mas a rota continua confusa.
Como sobrevive a empresa depois da saída do fundador?
Esta é a pergunta mais importante de um founder exit plan.
Para que uma empresa continue a funcionar depois da saída do fundador, certas estruturas já devem existir.
O sistema de vendas não deve depender apenas das relações do fundador.
Os dados dos clientes devem estar armazenados num sistema CRM profissional.
O desenvolvimento de produto não deve existir apenas na memória de uma pessoa.
Os relatórios financeiros devem ser regulares e compreensíveis.
Os papéis dentro da equipa devem estar claramente definidos.
A liderança deve ser apoiada por um segundo nível de gestão.
As relações com fornecedores e clientes devem estar organizadas profissionalmente.
A marca não deve depender apenas da imagem pessoal do fundador.
As operações devem ser geridas com processos escritos.
O sistema de tomada de decisões da empresa deve estar estabelecido.
Se a empresa continua a funcionar depois de o fundador sair, isso é verdadeira construção empresarial. Se tudo para quando o fundador sai, então não cresceu uma empresa; cresceu principalmente a atividade pessoal do fundador.
Como influencia o founder exit o valor de venda?
Quando uma empresa é vendida, um comprador não olha apenas para receitas, lucro, produto e número de clientes. Também faz esta pergunta:
Esta empresa continuará a funcionar da mesma forma depois da aquisição?
Se a empresa depende muito do fundador, o comprador pode atribuir-lhe um valor mais baixo. O risco é elevado. Quando o fundador sai, os clientes podem sair, a equipa pode desorganizar-se, a visão do produto pode enfraquecer e as vendas podem diminuir.
Mas se a empresa tem sistemas profissionais, uma equipa de gestão forte, processos escritos, relações com clientes ligadas à empresa e uma marca que mantém valor independentemente de uma pessoa, o valor de venda aumenta.
Por isso, um founder exit plan é uma parte oculta, mas muito importante, da avaliação empresarial.
Para um comprador, a empresa mais valiosa é aquela que se fortalece com a presença do fundador, mas não colapsa na sua ausência.
Founder exit significa sempre uma venda bem-sucedida?
Não. Nem todos os exits são bem-sucedidos.
Alguns fundadores abandonam a empresa demasiado cedo e prejudicam-na. Alguns vendem ao comprador errado e enfraquecem a marca. Alguns fazem um exit sob pressão dos investidores, embora não o desejem realmente. Alguns transferem as suas ações em más condições. Outros não preparam nenhum plano e saem da empresa que construíram durante anos sem uma compensação justa.
Um founder exit bem-sucedido tem estas características:
O fundador sai de forma justa.
A empresa continua sem danos.
A equipa não vive confusão.
A confiança dos clientes é preservada.
Os investidores compreendem o processo.
As ações são valorizadas corretamente.
O trabalho do fundador é reconhecido de forma visível.
A transição para uma nova liderança é feita de forma ordenada.
A marca não perde força.
O futuro da empresa permanece protegido.
Um exit bem-sucedido não significa apenas receber dinheiro. Significa deixar para trás uma estrutura capaz de se sustentar.
A preparação psicológica do fundador
O founder exit não é apenas um processo financeiro e jurídico. Também é um processo psicológico.
Para um fundador, a empresa muitas vezes não é apenas um negócio. É identidade, esforço, luta, sacrifício e uma grande parte da sua vida. Por isso, quando o fundador sai, não abandona apenas um escritório. Deixa o centro de um mundo que ele próprio construiu.
Isto não é fácil.
O fundador deve fazer a si próprio perguntas como:
Quem sou eu sem esta empresa?
O meu valor diminui se o meu papel mudar?
Consigo aceitar que a empresa cresça sem mim?
O que sentirei se um novo CEO tomar decisões diferentes das minhas?
Sentirei um vazio se a empresa for vendida?
O que vou construir depois?
Estas perguntas podem parecer simples, mas formam a parte mais profunda do processo de founder exit.
Antes de realizar um exit, um fundador deve preparar não apenas os seus contratos, mas também a sua mente.
O fundador deve ficar, sair ou mudar de papel?
Um founder exit plan nem sempre significa uma saída completa. Às vezes, uma mudança de papel é a melhor solução.
O fundador pode assumir um destes papéis:
continuar como CEO,
tornar-se presidente do conselho de administração,
permanecer como visionário de produto,
ser o rosto da marca,
atuar como consultor estratégico,
continuar como acionista minoritário,
apoiar a empresa durante um período de transição,
sair completamente da empresa.
O papel correto deve ser determinado de acordo com as necessidades da empresa e as verdadeiras forças do fundador.
Alguns fundadores são muito fortes na fase de zero a um, mas têm dificuldades em escalar. Alguns são fortes em visão e produto, mas esgotam-se com a gestão da equipa. Alguns são bons com investidores, mas não gostam das operações.
Um founder exit plan não deve castigar o fundador. Deve identificar onde o fundador pode continuar a criar maior valor.
Como organizar o exit entre cofundadores?
Em startups com vários fundadores, um exit plan é ainda mais importante.
Quando um cofundador sai, os outros continuam a trabalhar. Se as ações, tarefas, direitos de decisão e uso da informação não estiverem claramente organizados, podem surgir fortes tensões.
Os cofundadores devem falar desde o início sobre estes temas:
O que acontece às ações se um fundador sair cedo?
O fundador que sai mantém poder de decisão?
Pode criar uma empresa concorrente?
Pode utilizar informação de clientes e da equipa?
Como pode representar a marca?
O seu nome permanecerá na história da empresa?
A saída ocorreu em boas ou más condições?
Os fundadores restantes podem recomprar ações?
Que direitos terá um novo investidor nesta situação?
Estas perguntas podem ser difíceis. Mas as perguntas difíceis que não são discutidas transformam-se mais tarde em conflitos ainda mais difíceis.
A sociedade de startup mais saudável não se baseia apenas no entusiasmo. Também se baseia na maturidade de conseguir falar sobre uma possível separação.
Como se prepara um founder exit plan?
Um bom founder exit plan pode ser preparado seguindo vários passos.
Primeiro, devem ser escritas as intenções de longo prazo dos fundadores. Cada fundador deve indicar honestamente durante quantos anos deseja trabalhar ativamente na empresa, que papel lhe convém e em que condições poderia sair.
Depois, deve ser analisada a estrutura acionista. O vesting, a transferência de ações, a recompra de ações, os direitos dos investidores e as situações de saída devem ser clarificados.
No terceiro passo, devem ser escritos os papéis e responsabilidades. Que tarefas realiza o fundador? Como podem estas tarefas ser transferidas? Que conhecimento existe apenas na cabeça do fundador?
No quarto passo, deve ser criado um mapa de dependência da empresa. Até que ponto dependem do fundador as vendas, o produto, a tecnologia, as relações com clientes, as finanças, as operações e as relações com investidores?
No quinto passo, prepara-se o plano de transição. Se o fundador sair, quantos meses durará a transição? Quem assumirá as suas tarefas? Que clientes serão informados? Que conversas serão mantidas com investidores?
No sexto passo, define-se a linguagem de comunicação. Como saberão a equipa, os clientes e os investidores desta mudança sem perder confiança?
Finalmente, todos estes temas devem ser incorporados em acordos, documentos de governance e procedimentos da empresa.
Um founder exit plan não é apenas uma declaração de intenção. Deve ser um documento de gestão aplicável.
Os maiores erros ao preparar um founder exit plan
Um dos erros mais frequentes dos fundadores é falar do exit demasiado tarde. Depois de a empresa crescer, os investidores entrarem ou já existirem conflitos entre cofundadores, torna-se muito mais difícil organizar corretamente este tema.
O segundo erro é confiar demasiado em acordos verbais. Frases como “somos como irmãos”, “no nosso caso nunca haverá problemas” ou “vamos sempre encontrar uma solução” têm boa intenção, mas não são suficientes. Quando a empresa cresce, o dinheiro, o poder, a responsabilidade e o cansaço mudam as relações.
O terceiro erro é o fundador ver-se como insubstituível. Um fundador pode ser realmente valioso, mas se a empresa continuar a depender apenas dele, o crescimento fica limitado.
O quarto erro é assinar condições de investimento sem as compreender completamente. Alguns acordos de investimento podem influenciar fortemente os direitos de saída do fundador, a transferência de ações e o seu papel de gestão.
O quinto erro é ver o exit apenas como um ganho financeiro. O exit também trata de pessoas, equipa, marca, clientes e reputação.
O sexto erro é uma transição não planeada. Se um fundador sai de repente, a confiança da equipa e dos clientes pode ser prejudicada.
Um founder exit plan torna o fundador mais livre?
Sim, se estiver bem preparado.
Então o fundador sabe: a empresa não assenta apenas nos meus ombros. Existem sistemas. Existe uma equipa. Existe gestão. Existem acordos. As relações com clientes estão organizadas profissionalmente. A estrutura acionista é clara. O cenário de saída é conhecido. Posso crescer, mudar de papel ou sair no momento certo.
Esta consciência traz alívio psicológico.
O fundador não se sente prisioneiro da empresa. A empresa também não fica prisioneira do fundador.
Esta é a estrutura de startup mais saudável: o fundador dá alma à empresa, mas a sobrevivência da empresa não depende apenas da sua presença.
Conclusão: um founder exit plan não é uma fuga da empresa, mas um plano para a construir verdadeiramente
Um founder exit plan não é um tema de luxo para fundadores de startup. É um documento estratégico fundamental para o valor da empresa, a confiança dos investidores, a equidade entre cofundadores, a transferência de gestão e a continuidade a longo prazo.
Um fundador de startup não deve pensar apenas no momento do lançamento. Também deve pensar na possibilidade de uma futura saída. Porque toda a empresa deve um dia tornar-se maior do que o seu fundador.
Se a empresa colapsa quando o fundador sai, ela não foi completamente construída. Se a empresa continua viva, cresce e cria valor depois da saída do fundador, então existe verdadeira business construction.
A essência de um founder exit plan é esta:
O fundador inicia a empresa.
O sistema sustenta a empresa.
A equipa faz crescer a empresa.
A marca torna a empresa visível.
A gestão torna a empresa sustentável.
O exit plan protege o trabalho do fundador, o futuro da empresa e a confiança dos investidores.
A maior força de uma startup não é apenas começar com uma boa ideia. A verdadeira força é transformar-se numa empresa suficientemente sólida para viver independentemente do seu fundador.
Por isso, todo fundador sério deve fazer a si próprio esta pergunta:
Estou apenas a gerir esta empresa ou estou realmente a construí-la para que um dia possa viver sem mim?
Se a resposta for a segunda, então o founder exit plan deixa de ser um plano de despedida. Torna-se o documento de maturidade da empresa.